sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Final Cut"

O filme "Final Cut" aborda as questões de adopção de tecnologias e o impacto das mesmas.

O Ser Humano tem recebido as novas tecnologias com um certo cepticismo. Existe sempre uma desconfiança, bem como resistência, na chegada das novas tecnologias. Mas é sempre bom relembrar que as tecnologias são criadas com o intuito de satisfazer as necessidades do Homem.

No filme de Omar Naim, é desenvolvido um implante - ZOE - que se coloca no cérebro dos bebés, gravando assim todas as suas memórias, até ao final da sua vida. Aquando a morte do seu portador, o implante é retirado e entregue a um editor da ZOE TECH - empresa criadora - que compila os melhores momentos da vida do falecido para serem exibidos no seu funeral. Isto leva-nos a um confronto entre dois conceitos - memória e privacidade. De um lado encontram-se os adeptos desta nova tecnologia (a família dos falecidos e os editores) e do outro os seus oponentes que defendem o conceito de liberdade e privacidade.

A memória do Ser Humano tem vindo a sofrer alterações com o passar dos anos. Antes a memória baseava-se nas vivências pessoais e (possivelmente) no que era publicado nos jornais. Hoje, aquilo que os media transmitem, permite-nos "conhecer" pessoas ou "viver" situações sem nunca estarmos fisicamente em contacto com elas, adicionando assim uma "nova memória". Tal como a memória, o conceito de privacidade tem vindo a sofrer alterações, nomeadamente aquilo que é ou não considerado um dado privado. A existência de um aparelho como o ZOE, provocaria uma grande alteração no conceito memória, deixando de ser a nossa recordação de alguém ou situação, passando a ser uma selecção audiovisual de alguns momentos vividos por nós. A privacidade deixaria de existir a partir do momento em que alguém tivesse acesso a todas as nossas memórias.

É também abordada a questão da inclusão ou exclusão na sociedade, devido às tecnologias. Estas, são definitivamente um ponto chave na inclusão/exclusão de um individuo na sociedade pois apenas um grupo de privilegiados tem condições para suportar os custos destas tecnologias. Isto significa que os mais pobres e desfavorecidos sofrem de exclusão social por não terem condições de acompanhar as evoluções tecnológicas.

A grande questão em relação às tecnologias, está em encontrar os seus limites e não deixar que sejam as mesmas a dominar-nos. É um facto que os avanços tecnológicos dominam o nosso quotidiano e que é "impossível" viver hoje em dia sem telemóvel (por exemplo) devido há forma como o mesmo de tornou parte das nossas vidas. Tornou-se um bem essencial e indispensável como a roupa ou a comida, salvo certas excepções.

Actualmente, quem não acompanha minimamente os avanços da tecnologia, corre sérios riscos de ser, ou pelo menos sentir-se excluído da sociedade. As tecnologias permitem ao Ser Humano possuir um maior conhecimento. É necessário que os grandes inventores e génios tecnológicos tenham noção de quais os limites e onde devem parar. É bom encontrar alternativas para as necessidades do Ser Humano, mas com conta, peso e medida, respeitando sempre a sua integridade, bem como a sua essência.

E para despertar a curiosidade de quem ainda não viu o filme, aqui fica o trailer...


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